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Uma pesquisa recente revelou que aproximadamente 70% dos pacientes com câncer no Brasil desconhecem seus direitos durante o tratamento oncológico. O levantamento evidencia uma grave lacuna de informação que pode prejudicar o acesso a benefícios e garantias legais previstas para pessoas em tratamento contra a doença. Os direitos dos pacientes com câncer incluem benefícios previdenciários, isenção de impostos e prioridade no atendimento médico, recursos que permanecem desconhecidos pela maioria dos diagnosticados.
De acordo com o estudo, a falta de conhecimento sobre esses direitos afeta diretamente a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares durante um período já marcado por desafios físicos e emocionais. A pesquisa aponta que muitos brasileiros em tratamento oncológico perdem oportunidades de acesso a recursos que poderiam amenizar o impacto financeiro e social da doença.
Principais direitos desconhecidos pelos pacientes oncológicos
Entre as garantias legais frequentemente ignoradas está o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), disponível para trabalhadores diagnosticados com neoplasia maligna. Adicionalmente, pacientes com câncer têm direito à isenção do Imposto de Renda sobre aposentadorias e pensões, bem como prioridade na tramitação de processos judiciais.
O auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez também fazem parte dos benefícios previdenciários aos quais os pacientes têm direito, segundo a legislação brasileira. No entanto, a pesquisa indica que grande parte dos pacientes desconhece os procedimentos necessários para requerer esses benefícios junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Impacto da desinformação no tratamento
A falta de informação sobre os direitos dos pacientes com câncer pode agravar ainda mais a situação financeira de famílias já fragilizadas pelo custo do tratamento. Especialistas alertam que o desconhecimento desses recursos muitas vezes força pacientes a interromperem ou comprometerem a qualidade do tratamento por questões econômicas.
Além disso, o estudo revela que a desinformação não se limita aos benefícios financeiros. Muitos pacientes desconhecem seus direitos relacionados ao atendimento prioritário em serviços públicos e à reconstrução mamária imediata após mastectomia, garantida por lei desde 2013.
Necessidade de maior divulgação
Organizações de apoio a pacientes oncológicos enfatizam a urgência de campanhas educativas mais abrangentes sobre os direitos dos pacientes com câncer. A divulgação adequada dessas informações deveria começar no momento do diagnóstico, quando médicos e assistentes sociais podem orientar pacientes e familiares sobre os recursos disponíveis.
Entretanto, o sistema de saúde brasileiro enfrenta desafios estruturais que dificultam essa comunicação efetiva. A sobrecarga das equipes médicas e a falta de profissionais especializados em orientação jurídica e social dentro das instituições de saúde contribuem para perpetuar esse cenário de desinformação.
Barreiras no acesso à informação
A pesquisa também identificou que pacientes de regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos enfrentam ainda mais dificuldades para acessar informações sobre seus direitos. A concentração de serviços especializados em capitais e grandes cidades cria uma desigualdade no acesso não apenas ao tratamento, mas também ao conhecimento sobre garantias legais.
Além da questão geográfica, fatores como baixa escolaridade e vulnerabilidade socioeconômica foram apontados como agravantes da falta de informação. Esses grupos necessitam de abordagens diferenciadas e materiais educativos adaptados para garantir o pleno conhecimento de seus direitos.
Entidades ligadas à saúde pública sinalizam que trabalham em estratégias para melhorar a divulgação dessas informações, embora ainda não haja cronograma definido para implementação de programas nacionais de orientação. A expectativa é que novas iniciativas possam reduzir gradualmente o número de pacientes desinformados sobre seus direitos fundamentais durante o tratamento oncológico.
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