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Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Musashino, em Tóquio, revela que a polifarmácia pode prejudicar significativamente a recuperação de idosos durante processos de reabilitação hospitalar. A pesquisa acompanhou 1.903 adultos com 65 anos ou mais em um hospital de reabilitação no Japão e descobriu que pacientes que recebem alta com prescrição de seis ou mais medicamentos têm menor probabilidade de recuperar a independência funcional.
De acordo com o estudo publicado no PubMed, os participantes estavam sendo tratados por condições como doenças cerebrovasculares, incluindo acidentes vasculares cerebrais, distúrbios motores como Doença de Parkinson, ou síndrome de desuso. Esta última condição refere-se à deterioração física causada pela imobilidade prolongada, também conhecida como “use-o ou perca-o”, quando o corpo não é adequadamente estimulado.
Impactos da Polifarmácia na Recuperação Funcional
A síndrome de desuso se caracteriza por uma série de sintomas debilitantes que afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes idosos. Segundo os pesquisadores, o quadro inclui perda de massa e força muscular, redução da mobilidade articular, diminuição da resistência cardiovascular e problemas de coordenação e equilíbrio. Esses fatores combinados tornam a reabilitação um processo ainda mais desafiador.
A polifarmácia, definida como o uso simultâneo de múltiplos medicamentos, tem sido identificada como um fator de risco crescente entre a população idosa. Além de aumentar o risco de interações medicamentosas adversas, o estudo indica que a prescrição de seis ou mais medicamentos pode interferir diretamente na capacidade de recuperação funcional dos pacientes.
Desafios do Envelhecimento e Múltiplas Condições
Os idosos frequentemente enfrentam múltiplas condições crônicas simultaneamente, o que justifica o uso de vários medicamentos. No entanto, os resultados da pesquisa japonesa sugerem que essa prática pode ter consequências não intencionais na autonomia dos pacientes após a alta hospitalar. A recuperação da independência funcional é considerada um objetivo crucial para a qualidade de vida dessa população.
Adicionalmente, a imobilidade prolongada que leva à síndrome de desuso cria um ciclo vicioso. Quando combinada com os efeitos colaterais potenciais da polifarmácia, incluindo tontura, fraqueza e confusão mental, a capacidade do paciente de participar ativamente das atividades de reabilitação pode ser comprometida significativamente.
Implicações para o Tratamento de Idosos com Polifarmácia
Os achados levantam questões importantes sobre a necessidade de revisão criteriosa das prescrições médicas para pacientes idosos em reabilitação. Profissionais de saúde podem precisar equilibrar cuidadosamente o tratamento de condições crônicas com o objetivo de maximizar a recuperação funcional e a independência dos pacientes.
Enquanto isso, especialistas em geriatria têm enfatizado a importância de avaliações periódicas de medicamentos, especialmente durante transições de cuidados como a alta hospitalar. A desprescrição adequada, quando apropriada, pode ser uma estratégia para reduzir os riscos associados à polifarmácia sem comprometer o controle das doenças de base.
Contudo, os pesquisadores não detalharam no estudo quais tipos específicos de medicamentos apresentam maior impacto negativo na recuperação funcional. Essa informação seria crucial para orientar protocolos clínicos mais precisos em ambientes de reabilitação geriátrica.
O estudo reforça a necessidade de pesquisas adicionais para estabelecer diretrizes mais específicas sobre prescrição medicamentosa em idosos durante processos de reabilitação. Autoridades de saúde ainda não se pronunciaram sobre possíveis mudanças em protocolos de tratamento baseadas nesses achados, e aguarda-se que novos estudos validem essas descobertas em diferentes populações e contextos clínicos.
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