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O diretor do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC), Marco Lavagna, apresentou sua renúncia ao cargo nesta semana, segundo informações divulgadas pela imprensa local. A saída de Lavagna ocorre em um momento de tensão entre o instituto de estatísticas e o governo do presidente Javier Milei, que questiona publicamente os métodos de medição da inflação no país.
De acordo com fontes oficiais, a renúncia foi confirmada após semanas de especulação sobre o futuro do economista no comando do órgão responsável por calcular os índices de preços na Argentina. O INDEC é a instituição que fornece dados cruciais sobre a inflação argentina, um dos principais desafios econômicos enfrentados pelo país há décadas.
Tensões sobre a medição da inflação na Argentina
A saída de Lavagna do instituto de estatísticas acontece após críticas diretas do governo Milei aos números apresentados pelo INDEC. O presidente argentino e membros de sua equipe econômica têm questionado a metodologia utilizada para calcular a inflação, sugerindo que os índices não refletem adequadamente a realidade do país.
Marco Lavagna assumiu a direção do INDEC em 2019, durante o governo de Alberto Fernández, e trabalhou para restaurar a credibilidade do instituto após anos de desconfiança. Entre 2007 e 2015, durante a gestão kirchnerista, o órgão enfrentou severas críticas por supostamente manipular dados econômicos, especialmente relacionados à inflação.
Histórico de controvérsias no instituto argentino
O INDEC passou por uma profunda crise de credibilidade nos anos anteriores, quando economistas e organismos internacionais questionaram a veracidade dos números divulgados. Entretanto, sob a gestão de Lavagna, o instituto havia recuperado parte da confiança tanto do setor privado quanto de instituições internacionais.
A Argentina enfrenta atualmente uma das taxas de inflação mais altas do mundo. Segundo dados do próprio INDEC, a inflação acumulada em 2024 apresentou números alarmantes, afetando diretamente o poder de compra da população e complicando o planejamento econômico das empresas.
Impactos da renúncia do chefe do INDEC
Analistas econômicos expressam preocupação sobre os possíveis impactos da saída de Lavagna na independência técnica do instituto. A nomeação de um novo diretor alinhado com as posições do governo Milei pode gerar questionamentos sobre a autonomia do órgão e a confiabilidade dos dados estatísticos oficiais.
Além disso, organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial dependem das estatísticas do INDEC para avaliar a economia argentina e tomar decisões sobre financiamento. Qualquer percepção de interferência política nos dados pode afetar a relação da Argentina com credores internacionais.
Reações do setor econômico
Economistas privados manifestaram apreensão com a situação, ressaltando a importância de manter a integridade técnica do instituto de estatísticas. Algumas consultorias econômicas já indicam que podem intensificar seus próprios sistemas de medição da inflação caso haja dúvidas sobre os números oficiais.
Por outro lado, setores alinhados ao governo Milei defendem uma revisão completa da metodologia utilizada pelo INDEC. Eles argumentam que mudanças são necessárias para refletir com maior precisão as transformações econômicas implementadas pela atual administração.
O governo argentino ainda não anunciou oficialmente o nome do substituto de Marco Lavagna na direção do INDEC. A escolha do novo diretor será observada atentamente por analistas e investidores como um indicador das prioridades do governo em relação à transparência dos dados econômicos do país.
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