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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, atribuiu publicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um papel crucial na conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Em entrevista concedida à DW em Assunção, no dia da assinatura do acordo, Peña expressou gratidão pela pressão tarifária exercida pela nova administração norte-americana, que teria acelerado as negociações do acordo Mercosul-UE.
Segundo o líder paraguaio, a agenda de tarifas apresentada por Trump assustou diversos países europeus, levando-os a buscar acordos comerciais com outras regiões. A declaração ocorreu no contexto da finalização de um acordo que estava em negociação há mais de duas décadas entre os blocos econômicos.
Pressão Comercial Acelerou Negociações do Acordo Mercosul-UE
A análise de Peña sugere que a política comercial protecionista anunciada pelos Estados Unidos funcionou como catalisador para a União Europeia buscar parceiros alternativos. As ameaças tarifárias da administração Trump teriam criado incertezas no cenário comercial internacional, motivando Bruxelas a diversificar suas relações econômicas.
O acordo Mercosul-UE representa uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de pessoas. As negociações se estenderam por mais de 20 anos, enfrentando obstáculos relacionados a questões ambientais, agrícolas e padrões regulatórios.
Contexto Geopolítico e Estratégias Comerciais
A declaração do presidente paraguaio revela como as tensões comerciais globais influenciam acordos regionais. Enquanto Trump implementava políticas de “América Primeiro”, a União Europeia buscava fortalecer seus vínculos com mercados emergentes da América do Sul.
Além disso, a finalização do acordo ocorreu em momento estratégico para ambos os blocos. O Mercosul ganha acesso privilegiado ao mercado europeu, enquanto a UE reduz sua dependência comercial dos Estados Unidos e amplia sua presença na América Latina.
No entanto, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países membros de ambos os blocos. Especialistas apontam que resistências internas, especialmente de setores agrícolas europeus e grupos ambientalistas, podem dificultar a implementação definitiva do tratado.
Implicações para o Comércio Internacional
A conclusão do acordo Mercosul-UE demonstra como políticas protecionistas podem gerar efeitos contrários aos pretendidos. Enquanto Trump buscava fortalecer a posição comercial norte-americana, suas ameaças tarifárias podem ter contribuído para a formação de blocos econômicos que excluem os Estados Unidos.
Entretanto, economistas alertam que a ratificação do acordo enfrenta desafios significativos. França e Áustria já manifestaram preocupações sobre padrões ambientais e competição com produtos agrícolas sul-americanos, sinalizando possíveis obstáculos no processo de aprovação parlamentar.
Adicionalmente, o agradecimento de Peña a Trump pode ser interpretado como uma estratégia diplomática para manter boas relações com Washington, mesmo enquanto o Paraguai celebra um acordo que reduz a dependência comercial das Américas em relação aos Estados Unidos.
Próximos Passos e Incertezas
O acordo Mercosul-UE agora segue para a fase de ratificação nos parlamentos nacionais e no Parlamento Europeu. O processo pode levar meses ou até anos, dependendo das negociações políticas internas em cada país membro. Autoridades ainda não confirmaram prazos específicos para a implementação definitiva do tratado comercial.
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