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Jean-Luc Brunel, agente de modelos francês falecido em 2022, permanece no centro das investigações sobre a rede de tráfico sexual de Jeffrey Epstein, com conexões diretas ao Brasil através do recrutamento de jovens modelos. Brunel foi encontrado morto em sua cela na prisão parisiense de La Santé em fevereiro de 2022, enquanto aguardava julgamento por acusações de estupro e tráfico de menores. Sua morte foi classificada oficialmente como suicídio pelas autoridades francesas.
O empresário francês fundou a agência de modelos MC2 Model Management, que operava em Miami, Nova York e outras cidades internacionais, recrutando jovens de diversos países, incluindo o Brasil. Segundo documentos judiciais, Brunel teria usado sua posição na indústria da moda para atrair meninas com promessas de carreiras de modelagem, posteriormente apresentando-as a Jeffrey Epstein.
Conexões com Jean-Luc Brunel e o recrutamento no Brasil
De acordo com testemunhos apresentados em processos nos Estados Unidos, o agente de modelos mantinha uma rede de recrutamento que se estendia pela América Latina. Jovens brasileiras foram identificadas entre as vítimas potenciais contactadas por agentes ligados a Brunel, conforme indicam registros de imigração e depoimentos coletados por investigadores.
Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras de Epstein, afirmou em depoimentos que Brunel teria fornecido três meninas de 12 anos para o financista como “presente de aniversário”. Ela também alegou ter sido forçada a manter relações sexuais com o empresário francês em múltiplas ocasiões. As autoridades francesas abriram investigação formal contra Brunel em 2019.
Carreira na indústria da moda
Brunel construiu sua carreira trabalhando com algumas das maiores agências de modelos do mundo desde os anos 1970. No entanto, acusações de abuso sexual e comportamento predatório contra modelos jovens o acompanharam ao longo de décadas, segundo reportagens do período. Apesar das denúncias, ele continuou operando na indústria com conexões em Paris, Nova York e Miami.
A ligação entre Jean-Luc Brunel e Jeffrey Epstein intensificou-se nos anos 2000, quando o financista americano investiu aproximadamente um milhão de dólares na MC2 Model Management. Documentos financeiros revelaram que Epstein não apenas financiou a agência, mas também utilizou sua estrutura para facilitar viagens internacionais de jovens modelos.
Investigações internacionais e implicações legais
As investigações sobre a rede de tráfico sexual coordenada por Epstein revelaram ramificações em diversos países. Autoridades brasileiras foram contactadas por investigadores americanos e franceses solicitando informações sobre possíveis vítimas recrutadas no território nacional. Entretanto, não foram divulgados números oficiais de vítimas brasileiras identificadas.
Além disso, a morte de Brunel em circunstâncias semelhantes à de Epstein, que também foi encontrado morto em sua cela em 2019, levantou questionamentos sobre as condições de segurança em estabelecimentos prisionais. Advogados de vítimas expressaram frustração com a impossibilidade de levar o caso a julgamento e obter respostas completas.
O impacto do caso Jean-Luc Brunel estendeu-se além das acusações criminais, gerando discussões sobre práticas predatórias na indústria da moda. Organizações de proteção a jovens modelos passaram a exigir maior regulamentação e supervisão de agências que recrutam menores de idade internacionalmente.
As investigações sobre a rede de Epstein e Brunel continuam em andamento em múltiplas jurisdições. Autoridades francesas indicaram que prosseguirão examinando possíveis cúmplices e outras vítimas, embora a morte de Brunel tenha encerrado o processo criminal contra ele especificamente. O prazo para conclusão dessas investigações permanece indefinido.
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